sábado, 3 de agosto de 2013

ACERCA DO RITORNELO

Uma criança no escuro, tomada de medo, tranquiliza-se cantarolando.Ela anda, ela pára, ao sabor de sua canção. Perdida, ela se abriga como pode,ou se orienta bem ou mal com sua cançãozinha. Esta é como o esboço de um centro estável e calmo, estabilizador e calmante, no seio do caos. Pode acontecer que a criança salte ao mesmo tempo que canta, ela acelera ou diminui seu passo; mas a própria canção já é um salto: a canção salta do caos a um começo de ordem no caos, ela arrisca também deslocar-se a cada instante. Há sempre uma sonoridade no fio de Ariadne. Ou o canto de Orfeu
(...)
G. Deleuze e F. Guattari in Mil platôs

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