quinta-feira, 15 de agosto de 2013

DIAGNÓSTICO 


Perante a CID-10  e o  DSM-V, não é possível diagnosticar. O diagnóstico não existe. Comecei do zero. Esqueci dos códigos. Escutei  vozes  dizendo: “ele pensa que  é  o apocalipse”. Ninguém por  perto para testemunhar. Abri as  janelas.  Manhã  tão bonita  manhã. No entanto, a  doutora avisou que vai  chegar  mais  tarde. Hoje  é dia de visitas inesperadas.  Aos  que  vierem,  usem a vida como estimulante. No entanto, figuras empoladas  pronunciam  discursos  doutos. Nada da  expressão do desejo.  Nada mesmo. Que fazer? O círculo é  estreito, a rede é fina, o controle  é  (quase)  completo. Resta o pensamento: caminhar  veloz, conectar aliados insuspeitos, brincar com o peso  do diagnóstico. Poe. A loucura não tem diagnóstico. Os loucos circulam soltos, mesmo prisioneiros. A sociedade industrial  imprime no corpo dos seus súditos a marca da psiquiatria biológica. Por isso, hoje,  escondo o segredo das  origens. Nada  de genética. A universidade não entende. O povo não entende. O diagnóstico enterra suas   esporas  sobre  corpos previamente  dominados.  Somos  todos inúteis úteis.

A.M.

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