NATUREZA ÓRFÃ
(...) Se a humanidade pode ser salva, e os originais reconciliados, é somente na dissolução, na decomposição da função paterna. Por isso é um grande momento quando Ahab, invocando os fogos de Santelmo, descobre que o próprio pai é um filho perdido, um órfão, enquanto .o filho é filho de nada, ou de todo mundo, um irmão. Como dirá Joyce, a paternidade não existe, é um vazio, um nada, ou antes uma zona de incerteza ocupada pelos irmãos, pelo irmão e a irmã. É preciso que caía a máscara do pai caridoso para que a Natureza primeira se pacifique e se reconheçam Ahab e Batleby, Claggart e Billy Budd, liberando na violência de uns e no estupor dos outros o fruto do qual estavam prenhes, a relação fraternal pura e simples.
(...)
G. Deleuze in Crítica e Clínica
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