sábado, 9 de agosto de 2014

MICROPOLÍTICA: AS LINHAS

O desejo é composto por linhas existenciais que se traçam e se trançam. Conforme Deleuze, são três as linhas que nos constituem. Enroladas umas nas outras, às vezes indiscerníveis para um olhar-clichê, temos: a linha molar (ou sedentária), a molecular (ou nômade) e a de fuga. Vejamos algumas de suas características no campo da  saúde mental, mais especificamente no paciente. A linha sedentária estabelece um papel social “estável” hoje nomeado “portador de transtorno mental”. A linha nômade expressa  singularizações  que  escapam à  forma-doença. São estilos de vida, maquinando uma certa arte, talvez a arte de viver. Por fim,a linha de  fuga,a mais inesperada e louca, traduz universos insólitos não sonhados pela organização molar.É o mundo abstrato das formas não instituidas. Tudo  isso compõe  os  processos subjetivos. A linha de fuga, sem  dúvida, a mais estranha e arriscada,  traz a questão da loucura para dentro da Clínica. Deste modo, a avaliação (o exame) da Consciência é apenas um elemento (e dos mais frágeis) para se poder dizer“quem é o paciente?”A sua identidade, estabelecida pela razão psiquiátrica e por todas as razões  de mando e comando, revela-se uma linha pronta a se encaixar no molde diagnóstico. Qual  o  CID?
(...)
A.M.   

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