MUNDO ENFERMO
Tisteza não é o mesmo que depressão ou melancolia, termos clínicos que acompanham a psiquiatria,a psicanálise e outras técnicas psi. É certo que a tristeza é algo desagradável, mas mesmo tal addjetivação é discutível. É que os afetos são ambíguos por sua propria "natureza" de afeto. Afetos são intensidades. A experiência clínica mostra que eles são melhor captados como múltiplos, como tecido de multiplicidades irredutíveis a uma definição banal."O que você está sentindo?". "Não sei". Daí a necessidade essencial da escuta não-médica, não regida por coordenadas racionais e moralistas. A psicanálise até que tenta, é verdade, mas acaba atolada no lodaçal edipiano. "Odeio minha mãe". Então, qual escuta? Ora, o ato da escuta está acoplado ao ato do Encontro com a loucura encarnada no dito louco, mesmo que ele não seja um louco no sentido ordinário. Desse modo, escutar é captar o que é louco, estranho, insano, bizarro, insólito, externo às formas e formulações humanas e ao mesmo tempo latejando no interior de experiências subjetivas de auto e hetero destruição/criação. Isso dá trabalho, exige tempo, desejo, sensibilidade, intuição, pecepção fina, saberes diversos, e outras qualidades sequer sonhadas, mas praticadas no cotidiano das sensações de quem quer viver e não apenas sobreviver. Ora,como foi dito acima, tristeza não é depressão mas pode se tornar, caso o mundo se tornar. Será que isso não estará acontecendo?
A.M.
Ótima análise do cotidiano dos afetos. Os de sensibilidade múltipla, plural..
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