quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"Sem paixão não dá nem pra chupar um picolé."

N. Rodrigues

A ERA DO CINISMO


ROSTIDADE QUÍMICA

O chamado portador de transtorno mental costuma ser rostificado pela máquina farmacológica. Esta máquina se liga a outras máquinas, produzindo a clínica dos horrores em psiquiatria sob o manto apaziguador da Ciência. "Veja: ele é um portador de ..." Não duvide!

A.M.

ANO ZERO - ROSTIDADE

A máquina de rostificação

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

NÃO-EQUILÍBRIO

(...) (...) Só podemos falar de "sistema" nas situações de não-equilíbrio. Sem as correlações de longa duração devidas ao não-equilíbrio não haveria vida nem, por mais forte razão, cérebro.
(...)
I. Prigogine - do livro A leis do caos

DEVIR-ANIMAL

PODERES

O poder como fundo  opaco, a aura da  felicidade  humanista de servir ao próximo, o culto à ciência como artigo de fé, o respeito contrito à  Academia, que mais será a ciência do cérebro? Deus  meu, livrai-nos de todo  o mal não explicável por conexões  cerebrais. Contudo, isso é  fácil de provar: não pense.Falemos de outra coisa: a traição.A política não é bem vista pelos  cientistas. Eles a desprezam em favor de uma pureza de princípios e  métodos. Todos pelo  progresso. Um, dois, três, sigamos a população serial de neurônios aflitos.Aquestão da psiquiatria, hoje, é a produção de um  pensamento único e do acriticismo.  A ciência do cérebro apóia isso,  mas ela não é a psiquiatria. Um agenciamento neuro-psiquiatria é uma máquina de produzir mentes. A busca da causa das doenças (quais?) torna-se produção de causas, portanto, de uma razão  médica. O sistema  límbico, reduto dos afetos, molda e é moldado pelo que está fora. Não é possível ver a mente. Ela compreende relações e fluxos que precedem coisas e substâncias. Não existe O poder. Existem forças dispersas querendo se afirmar.  Oh  Nietzsche.
(...)
A.M.

CARANDIRU

20 anos do Massacre
ERRO 5 SOBRE A ESQUIZOFRENIA

Tratar  apenas com psicofármacos.
Causa: a mesma que a do ítem anterior acrescida da  herança  histórica  da  psiquiatria    (vontade  de  controle  do paciente)  e  a  aliança   com  os   interesses  da  indústria  farmacêutica  internacional.

A.M.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

LULU SANTOS - Tempos modernos

O TRABALHO DA DIFERENÇA

A diferença é  o novo,  um corte nas formas  instituídas do  ser-paciente (ou usuário) para  dar  lugar a  linhas  de vida  dispersas numa multiplicidade. Ora, a psiquiatria está  numa  relação de antinomia  com  o “novo” devido aos  seus compromissos políticos. Uma espécie de  reedição atual do  mito de  Sísifo  surge  na  figura do técnico  não psiquiatra  em Saúde Mental. O que  fazer  (terapeuticamente) com o (do)  paciente? . Uma  resposta é o  trabalho da diferença. Ele  acontece : na relação do técnico  consigo mesmo,  descobrindo-se como ser  composto e múltiplo; na relação  não hierarquizada do técnico com o paciente; no primado da dimensão ético-social  sobre  as  técnicas utilizadas;  na  conexão dos  processos  micro-institucionais com as políticas  públicas  de saúde mental; na produção grupal da equipe técnica voltada à autonomia a autoanálise  organizacional;  no questionamento do diagnóstico  psiquiátrico enquanto dispositivo institucional; na busca de uma conceituação  mais precisa de  Saúde  Mental; na  crítica à psicofarmacoterapia  como opção hegemônica de tratamento; na transversalização dos saberes sobre a loucura materializado  em práticas  clínicas;. no cotidiano das  relações pessoais não patológicas; no tempo  decorrido entre os contatos técnico-paciente: o entre-tempo; no tipo de escuta ao discurso considerado delirante; no recorte etiológico  a  partir  do que  é ou não  é  psicose (diagnóstico).
Pontuados  estes e outros temas de pesquisa,  surgem  eixos  para  intervenções  práticas. Seria  possível  continuar a série...  ao infinito.  Ela   expressa  o trabalho da diferença  em psicopatologia e se dá como imediatamente clínico e crítico. Neste ponto, a psicopatologia torna-se órfã e  adquire  o sentido necessário  à composição  dos artigos. Ela se tece  entre  saberes  heteróclitos,  sendo   regida pela ética  da   potência de criar.  Sem pai  nem mãe,  ídolos,  reis  ou  qualquer  tipo (mesmo disfarçado) de transcendência, não se submete aos poderes dominantes.Ao contrário,   junta aliados  não convencionais  e  busca   trair  as  formas instituídas  do saber. 
(...)
A.M.

SEBASTIÃO SALGADO

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

TEMPO DE ELEIÇÃO

Chega a hora das eleições, mas o tempo não passa. Ou, pelo  menos, não salta, digamos, para um outro universo de sentido, onde o homem comum possa dizer: “enfim, algo  novo”. O homem comum é o que está em contato com a experiência do cotidiano (no trabalho, nas ruas, nos serviços, nas casas, etc) e por isso expressão de um tempo que  não  passa. Mas  que, apesar de  tudo, passa.
Terrível  paradoxo o envolve no cumprimento da sobrevida para viver ao invés do desejo de viver, ou apenas  viver, viver.
Chega a Hora. É a do horário eleitoral gratuito, pelo qual  o homem da cidade paga. E muito.  Mas  de nada adianta desligar o rádio ou a TV, pois as palavras do candidato ecoam para além dos  fluxos eletrônicos, disseminando pela cidade a trama  monstruosa do invisível poder  visível. Tudo  conflui  para a produção  íntima de uma subjetividade votante. A Publicidade  faz a sua parte  no negócio.
Como escolher?
Escolher um candidato  passa a ser uma ação  que  oscila no mercado  das ofertas clientelísticas   conforme razões de mando e comando do poder econômico em sua face mais risonha (todos  riem...) e cínica. Com os pobres, os inferiores, os  miseráveis, a palavra  vira repetição automática. Ou não vira, não vira (no sentido em que se diz “esse carro não vira”), permanecendo em seu  lugar  o  refrão  interminável  dos  dias  da  servidão  “consentida”.
No fim, que é o começo, não só a Cidade é enfeada, desfigurada com banners e muros sombrios. É  toda a cena da disputa  que é, assim, onde você  decide,  cidadão,a  não decidir.

A.M.

DEVIR-ANIMAL

SERVIDÃO GRUPAL

Existe a realidade dos grupos submetidos. Ela é relevante...  Pode ser  ao eu  do líder, ao nome  da família, à imagem do rei, às palavras  do mestre, a certa filosofia, às coerções de uma  organização, à competitividade, à  palavra da mídia, à  ciência,  ao consumo automático, à  arte,  à  revolução, a Deus, ao partido, etc. A lista é praticamente infinita.O que esses dados  heterogêneos tem  em comum é a função de conduzir   o grupo  em direção a objetivos  fora  dele. Ou seja, o grupo  só existiria  a partir de algo que  o ultrapassa  como vivência  concreta de  si. Ele ergue uma crença no Imaginário. Este habita o grupo, fabrica  uma  natureza que o “autoriza” a assumir  uma “essência”. Irão aí medrar as  futuras  burocracias e os  micro-fascismos, por  onde  a instituição-Grupo  forma um   refúgio bem sucedido   das forças coletivas da história, do  tempo e do caos. “Você não  é dos  nossos”, “morte  ao estrangeiro”, “só entra aqui sendo...” são palavras  de ordem que  passam a ressoar como formações inconscientes.  
(...)
A.M. - do texto Grupo e caos in Revista Veneta, n° 1.