O Próprio Deus não é uma entidade simples. ‘Acima das “ante-salas do Céu” pairava o Próprio Deus, que, em
contraposição a estes “domínios anteriores de Deus”, era também descrito como os ‘‘domínios posteriores de Deus’’. Os
domínios posteriores de Deus eram, e ainda são, divididos estranhamente em duas partes, de modo que um Deus inferior
(Arimã) se diferenciava de um Deus superior (Ormuzd). Com referência ao significado desta distinção, Schreber só
nos pode informar que o Deus inferior era mais especialmente ligado aos povos de uma raça escura (ou semitas) e o Deus
superior aos de uma raça loura (os arianos); e nem seria razoável, em assuntos tão elevados, esperar mais do
conhecimento humano. Não obstante, diz-nos também que ‘apesar do fato de, sob certos aspectos, o Deus Todo-
Poderoso formar uma unidade, o Deus inferior e o superior devem ser considerados como Seres separados, cada um dos
quais possui seu próprio egoísmo e instinto particular de autopreservação, mesmo em relação ao outro, e cada um dos
quais se está, portanto, constantemente esforçando por arremessar-se na frente do outro’. Ademais, os dois Seres
divinos comportavam-se de maneira inteiramente diferente em relação ao infeliz Schreber, durante o estádio agudo da
doença
(...)
S. Freud - fragmento do caso Schereber
Nenhum comentário:
Postar um comentário