segunda-feira, 9 de maio de 2016

DEZ LINHAS PARA UMA ANÁLISE DA PSICOFARMACOTERAPIA

A psicofarmacoterapia serve, claro que sim, mas a quem? 
Trazemos algumas linhas para análise: 1-O uso dos fármacos se baseia na crença epistemológica mecanicista (causa-efeito); 2-O mundo moderno "exige" respostas terapêuticas rápidas, o que o fármaco consegue; mas quais as respostas? 3-A propedêutica médico-psiquiátrica se inverte: ao invés de "diagnosticar para medicar","medicar (prescrever fármacos) para só depois diagnosticar";4-A propedêutica médico-psiquiátrica  às vezes acaba ferida no seu âmago;  ou seja, sequer  há diagnóstico, mas há, sim, prescrição, "palavra-de-ordem": - tome o seu remédio! 5-Há alianças explícitas da Psiquiatria com a Indústria Farmacêutica Internacional; 6-Há alianças (não tão explícitas) da Psiquiatria com as Farmácias Comerciais; 7- Os fármacos, por mais avançada que seja sua tecnologia de fabricação, atuam apenas sobre o  SINTOMA ou sobre os SINTOMAS  que o paciente traz; 8- Os fármacos, quando usados de forma abusiva, inadequada e anti-ética, provocam danos ao paciente; 9-Os fármacos podem produzir uma doença sobreposta à doença "original" do paciente; assim, mais do  que efeitos iatrogênicos, eles podem produzir uma subjetivação farmacológica: "sou doente porque uso remédios controlados". 10- O uso de fármacos é "autorizado" e estimulado por todo um complexo de forças sociais; o psiquiatra não  deve ser demonizado; ainda assim, ele deve ser criticado na sua função técnica, na ética adotada (que precede a clínica) e no seu papel sociopolítico.

A.M.

Obs.: texto revisto e ampliado

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