quarta-feira, 4 de maio de 2016

PETISMO: O QUADRO CLÍNICO

O quadro psicopatológico do petismo é simples. Os sintomas atingem basicamente as funções afetivas, notadamente o humor, e, em consequência, o pensamento enquanto atividade cognitiva acerca da realidade (o chamado juizo). Ao exame psíquico, o paciente expressa afetos tristes (rancor, ódio, ressentimento, tristeza, melancolia, irritabilidade, etc) escolhendo alvos (humanos ou não-humanos) onde engatar suas linhas existenciais ou territórios de sentido desprovidos de sentido. É, bem verdade, uma série sintomatológica diretamente conectada à atividade cognitiva, fornecendo material energético (corporal, libidinal) necessário a agenciamentos paranóides que pululam por todas as partes. Assim, o petista é, antes de tudo, um paranóide. Desconfia de todos, vive incessantemente sob a égide de um pânico iminente ("vão dar o golpe!") isso tendo, pelo menos duas consequências práticas: 1-a paralisia das suas funções intelectivas superiores (burrice emocional); 2-a impulsividade violenta das ações no cotidiano. É claro que as duas alternativas vêm à reboque das contingências sociopolíticas atuais. De todo modo, o paciente contaminado pelo petismo tem a gravidade da sua condição psíquica agravada pelo dado epidemiológico de que milhares, ou milhões de pessoas como ele, também pensam como ele. Mas, se para o nosso paciente, o petismo não é doença, muito menos seria agora (?!) quando tanta gente é portadora... até pacientes famosos...Por ora, não há informações disponíveis sobre métodos terapêuticos para tal condição mórbida. Concluindo, enquanto a ciência não avançar em suas pesquisas, os portadores (mesmo os a-sintomáticos) deverão usar medidas paliativas ( elas melhoram o humor, diminuem a suspicácia) como, por exemplo, a leitura de poetas e/ou pensadores libertários. Ou se encharcarem de arte.

A.M.

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