A QUEM SERVE
O pensamento da saúde mental só existe enquanto ciência, filosofia e arte encadeadas em devires. O que se chama de reforma psiquiátrica não passa de um rearranjo de poder dos modos de codificar a loucura. Desse modo não existe o devir, a não ser na fantasia e/ou no delírio, não se constituindo como pensamento, mas como saber classificatório para o qual a CID-10 e o DSM-V são cartilhas mortas com respaldo jurídico e científico. Ao contrário, a luta pela diferença passa por uma rachadura no conceito de saúde mental. Feito isso, o espaço-tempo de trabalho com o paciente alarga-se ao ponto de não mais pertencer ao mercado da saúde mental e sim aos territórios coletivos conquistados no encontro com a loucura. Muda o conceito de transtorno mental ou o de doença mental, como antes era chamado. Quem é doente? O que é doença? Não há certezas. Esse fato é condição elementar para desfazer a saúde mental como organização da forma-Estado e substitui-la por uma clínica órfã e molecular, produzindo seus próprios códigos. Uma outra semiótica poderá surgir dos problemas (sempre há) que o paciente traz. O diagnóstico submete-se ao contexto social e não o contrário. Acreditamos que, desse modo, os técnicos se farão aliados de forças que eles mesmos tornarão úteis em terapêuticas singulares. Ao pé da letra, diríamos: servirão ao paciente ou nada serão.
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A.M.
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