domingo, 11 de setembro de 2016

UM TEMPO FORA DOS TRILHOS

Entendemos o fascismo como uma espécie de crispação desejante: o ódio aos devires! Ele chega disfarçado de solução aos problemas aparentemente insolúveis da civilização atual. Isso preenche e motiva subjetividades à beira de abismos insondáveis: Por que isso acontece ? O que (ainda) virá? Nesse momento histórico, a nível planetário, de esvaziamento de sentido da existência e do aniquilamento das crenças na verdade única, os remédios fascistas surgem à mão cheia. E proliferam. Afinal, é preferível crer em algo (mesmo monstruoso) do que em nada crer. Os chamados determinantes psicossociais da patologia mental tornam-se, então, os únicos vetores etiológicos necessários à fabricação de um mundo completamente insano. No entanto, já não é mais preciso - ao contrário do século XIX - de asilos para loucos, pois, como anunciou Nietzsche, o mundo inteiro é que se transformou num ou se transforma a cada hora, a cada notícia, diante da perplexidade geral, no Grande Hospício Terra de onde não é possível escapar. 

A.M.

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