OLHA O PASSARINHO
Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta. Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa,.
Eram quase quatro da manhã. Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada. Preparei minha máquina de novo. Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado. Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão. Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre. Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com maiakoviski – seu criador. Fotografei a nuvem de calça e o poeta. Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
Mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.
Manoel de Barros
É nesse sentido que o conceito de subjetividade está para o capitalismo, numa relação de imanência, e é exatamente isso que Foucault demonstrará como aquilo que se chamou "práticas de si" passou a discurso sobre si, que é, nada mais, nada menos, que a subjetividade. A subjetividade é inerente ao Capitalismo. Não há um sem o outro. Não há Capitalismo sem subjetividade, ou melhor, sem produção de subjetividade. E, vice-versa, não há produção de subjetividade sem Capitalismo. Aquilo que acontece, os encontros, o abstrato, os afetos, etc., nada tem a ver com subjetividade. Basta ler Spinoza ou lembrar do exemplo do "carrapato" que o Deleuze cita em seu livro: três afetos e é tudo.
ResponderExcluirDeleuze & Guattari trabalham com o conceito. Mas, é o caso de se perguntar: "Quem não trabalha com o conceito de subjetividade?" No entanto, é também o caso de se constatar: "O Capitalismo está aí, mais forte e soberano do que nunca, produzindo diagnósticos e consumidores a toda." Então, continuem trabalhando com o conceito e assistindo o paciente voltar-se cada vez mais para si próprio, para suas modificações, atingindo vitórias pessoais, para que vocês conclamem: "O PACIENTE ERA UM FODIDO E MELHOROU POR MINHA CAUSA."
ResponderExcluirhttp://www.youtube.com/watch?v=jlXXmeTOMSM
ResponderExcluir"O paciente melhora.
ResponderExcluirO mundo piora.
O Psiquiatra censura.
César.
Cesura."
(Isac Fernandes,sobrinho do Millor)
http://www.youtube.com/watch?v=cr38QtwWegY
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