sexta-feira, 4 de abril de 2014

ARTE DA ARTE

Na clínica da diferença a arte surge como resistência às situações existenciais adversas. Resistência e afirmação do insólito. Neste sentido, ela está  fora da tecno-psiquiatria triunfante, não havendo encontro possível. A linguagem da  arte é  inseparável da sensação,  pura  sensação que recorta a subjetividade em semiótica a-significante. Ou seja, não  sendo submetida à Consciência (“eu, enquanto indivíduo”), a produção da arte é uma produção de singularidades que retira matéria viva do caos-acaso. Na neuro-psiquiatria, versão atual, em lugar  da produção de vidas, da produção como produção, o produto ( um paciente?)  é coagulado, capturado, imobilizado em exames (sofisticados) de imagens. A produção desejante então brocha e na Clínica de Masmorras Afetivas se expressa no rosto de histerias incuráveis, depressões multifacetadas, esquizofrenias aterrorizantes, pânicos variados, bipolaridades incômodas,  etc.

A.M.

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