sábado, 3 de junho de 2017

NADA DE NOVO NO FRONT (*)

Movido à base de verdades próprias, Michel Temer acredita que a recessão acabou e que seu governo é vítima de um complô (**) de gente impatriota que não quer ver o Brasil de volta aos trilhos. Decidiu se defender atacando. Transformou o Planalto num bunker e, cercado de generais investigados, passou a fabricar crises a partir do nada. A última grande ideia do alto comando governamental foi escalar o doutor Torquato Jardim para assumir o controle da Polícia Federal. Neste sábado, agentes da PF, já sob nova direção, prenderam em Brasília Rodrigo Rocha Loures, símbolo da fase de autocombustão do governo Temer.

Sob influência dos seus malfeitores de estimação, Temer foi convencido de que a transferência de Torquato do Ministério da Transparência para a pasta da Justiça era uma grande ideia. Imaginando-se invulnerável, o presidente humilhou Osmar Serraglio. Desalojou-o da Justiça sem aviso prévio. Estava certo de que o deputado licenciado aceitaria sem titubeios o rebaixamento para a pasta da Transparência. Serraglio limpou as gavetas, escreveu uma carta com ataques aos “estrategistas trôpegos” do Planalto e reassumiu seu mandato de deputado. Deixou o suplente Rocha Loures ao relento. E levou os glúteos de Temer à vitrine.
(...)

Do Blog do Josias de Souza, 03/05/2017,12:15 hs


(*) Título meu.

(**) "Complô" é, óbvio, sinônimo de conspiração. Ora, Elias Canetti (1905-1994), escritor búlgaro, autor do livro "Massa e Poder", dedica um dos capítulos desta obra prima ao estudo das relações entre o PODER e a PARANÓIA a partir de uma análise do caso de Schereber ( Freud,1911). Na história política brasileira recente, tanto o governo Dilma usou quanto o governo Temer usa o mesmo argumento para se defender atacando. (Nota do Blog "O cérebro Mente")


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