ANTIDEPRESSIVOS À MÃO CHEIA
Os antidepressivos são medicamentos úteis no tratamento das depressões graves (o paciente geralmente melhora), como também nas depressões ditas moderadas. Contudo, o problema não está aí. Ou melhor, há questões clínicas essenciais: 1-o conceito de depressão, ou: o paciente está de fato deprimido?; 2-caso esteja, qual a causa (etiologia) de tal estado?; 3- como consequência, o efeito dos antidepressivos está condicionado a esses ítens; 4- assim, por melhor que seja o antidepressivo (os de "ponta", caríssimos, por sinal), sua eficácia é limitada ao funcionamento neuroquímico, portanto, ao cérebro, órgão anatômico-fisiológico; lembro de uma paciente que desenvolveu um sorriso "fluoxetínico", alusão a fluoxetína, chamada a droga da felicidade quando, há anos, do seu lançamento no mercado. Os psicofármacos antidepressivos, bons remédios, podem se tornar "maus" se prescritos inadequadamente (segundo um diagnóstico errado), excessivamente ( segundo uma visão positivista da neuroquímica - a neuromania), se associados a outros psicofármacos (interações medicamentosas) o que turva uma avaliação precisa da sua eficácia, bem como submetem o paciente a efeitos adversos desconhecidos. Em suma, percebe-se hoje uma fetichização dos antidepressivos devido a vários fatores. Uns, talvez os mais importantes, estão ligados aos interesses de lucratividade das grandes empresas farmacêuticas internacionais. Outros, frutos do horror e do vazio existenciais perpetrados pelas relaçoes capitalísticas mundializadas, se articulam como produção de uma demanda irreversível e irresistível; mais e mais remédios para a dor de existir e a sua correlata erosão de sentido.
A.M.
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