sexta-feira, 3 de novembro de 2017

HORROR AO DESEJO

(....)
Ao mesmo tempo em que a violência de gênero está pautando novelas, estes registros não param de crescer. Ativistas feministas são perseguidas e ameaçadas. De morte, inclusive. Gabriela Manssur, promotora que atua no Ministério Público de São Paulo em defesa dos direitos das mulheres, diz que os casos de perseguições a mulheres estão aumentando. "Mas nunca foi feita esta estatística", diz ela. "Tem uma ativista que está inclusive indo embora do país por causa da perseguição". 

Um dos casos mais emblemáticos é de Lola Aronovich, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e autora do blog Escreva, Lola, escreva. Ela já sofreu diversas ameaças de morte e de estupro simplesmente por ser feminista. Em cinco anos, já registrou 11 boletins de ocorrência, o último, em abril deste ano."As ameaças saem de uma quadrilha organizada", diz ela. "Eles perseguem não só a mim, mas a minhas leitoras e até as minhas advogadas", conta. No ano passado, Lola conta que o reitor da universidade onde ela trabalha recebeu um e-mail com uma ameaça: se não a exonerasse, haveria um atentado na UFC. "No texto diziam que ou ele despedia esta 'porca imunda', se referindo a mim, ou passaria uma semana recolhendo corpos de 300 cadáveres", conta ela. A Polícia Federal entrou na jogada. Até o momento nada foi descoberto.

Para Gabriela Manssur, apesar das tentativas de censura, o movimento feminista não tem volta. “As mulheres não estão mais aceitando a diminuição dos direitos por elas conquistados e que são fruto de uma luta feminista de muito tempo”, diz. Ela acredita, porém, que os movimentos retrógrados e o movimento feminista se retroalimentam. “Estamos vivendo sim uma onda de retrocesso em que há um conservadorismo muito grande, talvez até em resposta a esta autonomia que as mulheres conquistaram”. Lola Aronovich concorda. "Os ataques pioraram", diz. "Depois da eleição de Trump e agora com a consolidação da candidatura de Bolsonaro, as coisas tendem a piorar ainda mais".
(...)

Marina Rossi, El País, São Paulo, 02/11/2017, 10:48 hs

3 comentários:

  1. Não gosto dessa palavra "Feminismo". Sou feminina isso sim! Respeitada e respeitando. Essas tais feministas são extremamentes radicais e mentirosas! Cuidado com elas!

    ResponderExcluir
  2. As mulheres machistas se dizem somente femininas, essas mulheres tem Hoooorror a qualquer tipo de expressão que se origina da alma...

    E aí, podemos radicalizar as mulheres machistas...?

    ResponderExcluir
  3. Sou feminina! Machista não!Adoro qualquer expressão que se origina da alma...até porque sou uma artista!

    ResponderExcluir