DEVIR-MULHER
(...) Devir é rizoma, é contágio. Devir não se opõe a uma forma, não quer atingir a forma definitiva, nunca se conclui numa forma; nunca atinge, nunca concretiza a forma para qual tende. Se digo mulher, homem, animal, falo de formas; refiro-me a alianças efetivas com as políticas de identidade e gênero para a constituição dessas formas. Mas se digo devir-mulher, devir-animal, são tendências de um ser que flui, constituindo com os outros alianças afetivas, as rizomáticas, que fazem sempre escapar das políticas de identidade. Esse escapar pode ser entendido como as lascas da mascara-realidade dita em Rolnik e Guattari (1989).
Os devires: devir-animal, devir-mulher, devir-invisível, devir-molécula etc., são linhas de
fuga que desfazem as essências e as significações em proveito de uma matéria mais intensiva onde se movimentam os afetos.
(...)
Inês Bueno e Sonia Regina da Luz, 2010
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