O FASCISMO QUE SE APROXIMA
O fascismo pode ser definido de muitas maneiras, todas elas parciais. Dependendo da época e do lugar, consistiu no sequestro do Estado por parte de interesses privados, ou no enquadramento da sociedade em um esquema de quartel, ou na criação de mecanismos mais ou menos brutais para eliminar a dissidência diante do poder. Às vezes essas características se combinam. Em geral, o fascismo requer um líder carismático. Mas não sempre. Um regime pode parecer fascista sem ser: a Argentina de Perón. E pode ser fascista sem parecer: o Portugal de Oliveira Salazar. Dá para fazer muitas especulações sobre o fascismo.
Talvez a essência do fascismo consista em algo bastante simples: uma reação agressiva da maioria contra as minorias. As maiorias, é claro, são algo contingente. Não existem por si só. É preciso criá-las ou pelo menos dar-lhes forma, e para isso é necessário encontrar sentimentos que muitos possam compartilhar (o fascismo não se baseia em ideias, mas em sentimentos) e estimulá-los ao máximo. O medo, a raça, a pátria, a bandeira, a religião, a frustração, o passado (neste caso, quase como antônimo da história): elementos que não resistem a uma análise superficial e que, ao mesmo tempo, podem suscitar violentas emoções coletivas.
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Enric González, El País, 01/12/2018, 21:48 hs
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