O TRAPACEIRO ÍNTIMO
Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida...
Um dia, quando os funcionários chegaram para trabalhar, encontraram na portaria um cartaz enorme, no qual estava escrito:
"Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida na Empresa. Você está convidado para o velório na quadra de esportes".
No início, todos se entristeceram com a morte de alguém, mas depois de algum tempo, ficaram curiosos para saber quem estava atrapalhando sua vida e bloqueando seu crescimento na empresa. A agitação na quadra de esportes era tão grande, que foi preciso chamar os seguranças para organizar a fila do velório. Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação aumentava:
- Quem será que estava atrapalhando o meu progresso ?
- Ainda bem que esse infeliz morreu !
Um a um, os funcionários, agitados, se aproximavam do caixão, olhavam pelo visor do caixão a fim de reconhecer o defunto, engoliam em seco e saiam de cabeça abaixada, sem nada falar uns com os outros. Ficavam no mais absoluto silêncio, como se tivessem sido atingidos no fundo da alma e dirigiam-se para suas salas. Todos, muito curiosos mantinham-se na fila até chegar a sua vez de verificar quem estava no caixão e que tinha atrapalhado tanto a cada um deles.
A pergunta ecoava na mente de todos: "Quem está nesse caixão"?
No visor do caixão havia um espelho e cada um via a si mesmo... Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: VOCÊ MESMO! Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida. Você é a única pessoa que pode prejudicar a sua vida. Você é a única pessoa que pode ajudar a si mesmo. "SUA VIDA NÃO MUDA QUANDO SEU CHEFE MUDA, QUANDO SUA EMPRESA MUDA, QUANDO SEUS PAIS MUDAM, QUANDO SEU(SUA) NAMORADO(A) MUDA. SUA VIDA MUDA... QUANDO VOCÊ MUDA! VOCÊ É O ÚNICO RESPONSÁVEL POR ELA."
O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos e seus atos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. A vida muda, quando "você muda".
Luís Fernando Veríssimo
Ontem, foram expostas duas frases, que, no fim das contas, querem dizer a mesma coisa, mudando-se apenas as palavras: "Levar um problema político para o campo pessoal é um grande crime filosófico que se comete. Elevar um erro político à condição de acerto filosófico é uma grande hombridade que se acomete." O que acho interessante é como os termos concatenados podem dar idéia de algo diferente. E foi isso, justamente, o proposital. Quando se escreve "hombridade", tudo parece "elevar o astral" e a frase ganha uma conotação positiva, quando, na verdade, sob o oculto do significante, nada muda. Critica-se a psicanálise e a relação significante-significado, em prol de uma "literatura menor", do "CsO", da "dobra", "subjetividade subjetiva", e tudo ganha ares de REALIDADE VIRTUAL. É como se fosse um vídeo-game. Mas, a Psiquiatria não é vídeo-game. Gritar da janela quando o paciente faz barricadas é um modo de ser paciente. O paciente clama por práticas afirmativas e que ganhem destaque por isso, e não pelo próprio destaque que UMA PESSOA DÁ A SI PRÓPRIO. O "VOCÊ MESMO" do Veríssimo é o "SI PRÓPRIO". Mudam-se as palavras, mas não o sentido. É como o "self" do Jung, que pretende ir além do "ego", só que, no sentido prático, não consegue. A paz imperturbável, que o cristianismo durante muito tempo propagou, é a indiferença da paz. Quem disse mesmo algo interessante foi o Daniel Day-Lewis, em entrevista, quando afirmou: "Se eu me desse importância com relação à dimensão dos personagens que interpreto, não faria bem o meu trabalho. Acho que é justamente o fato de não dar importância a isso que me faz fazer um bom trabalho. Assim, posso interpretar o presidente dos EUA e o Último dos Moicanos de um jeito diferente, mas da mesma maneira, com a mesma postura." Para concluir, canto Cidade Negra: "A favor da comunidade, que espera o Bloco passar, ninguém fica na solidão, o Bloco vai te levar... VERDADE PROVA QUE O TEMPO É O SENHOR DOS DOIS DESTINOS... JÁ QUE PRA SER HOMEM TEM QUE TER A GRANDEZA DO MENINO..." GRANDE MÚSICA: Girassol.
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