sábado, 13 de fevereiro de 2016

DE SÚBITO

As linhas da diferença são visões do inominável. Pode ser em qualquer lugar, a qualquer hora. São impulsionadas por traços de rostidade que se insinuam à frente sem que se perceba o objeto, mesmo que isso roce as células do corpo em brasa. Não saberia dizer o que é, se é mesmo isso o que constitui as migalhas do mundo e tece o sentido das horas, como dizia e fazia Virgínia Woolf. A mim, restou caminhar entre os escombros renascidos de cada riso frouxo expresso por entre frases soltas e gemidos alegres. Ao andar pelas ruas cheias da cidade deserta, um coração gigantesco sacudiu os gestos de modo tal, que tudo passou a brilhar durante a passagem discreta dos corpos opacos e lisos. Ninguém me disse, ninguém avisou mas, por fim, capturei a liberdade escancaradamente bela nos olhinhos de Miguel.

A.M. 

Um comentário:

  1. Um VIVA! à liberdade de Miguel; dos Migueis, das Marias, dos Pedros, de todas as crianças. Crianças livres, adultos felizes. Quanto à nós... basta que embarquemos com eles numa viagem através da luminosidade dos seus olhinhos.
    “A criança é como um viajante em busca de coisas novas, e tenta entender o idioma desconhecido de quem o rodeia. Nós, os adultos, somos guias desses viajantes que fazem sua estrada na vida humana”

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