sábado, 2 de junho de 2018

ESTUDO CLÍNICO SOBRE OS DELÍRIOS - V

Os delírios podem se expressar de modo organizado e compatível com um funcionamento racional: a razão a serviço da loucura na evolução da personalidade. São os chamados delírios crônicos sistematizados, conforme a escola psiquiátrica francesa do século XIX. Os temas são diversos: reivindicação, querelância, suspeita, religião, ciúme, etc. Eles perfazem um amplo espectro psicopatológico. O que têm em comum é a organização mental preservada (atividade cognitiva) e a longa duração dos delírios ( meses, anos ou por toda uma vida). Os sintomas alucinatórios (sensoriais) são raros, e a inserção social, a depender do Contexto, pode ser adequada e produtiva. Tais delírios devem ser diferenciados das esquizofrenias, já que estas constituem processos mentais com tendência a deteriorar a função de autonomia social. Como o próprio termo "esquizo" diz, nas esquizofrenias o eu é estilhaçado. Nos delírios crônicos não. Sob a realidade psiquiátrica atual, marcada pelo psicofarmacologismo como verdade do cérebro, o delirante crônico é pouco escutado e induzido a consumir olanzapinas e clozapinas, entre outras drogas. Isso não é um mal em si , exceto quando o uso do fármaco esconde e destroe a riqueza vivencial do delírio, falseia o diagnóstico, limita as opções de tratamento não químico e torna o prognóstico sombrio em face da marcação do estigma.


A.M.

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