domingo, 3 de junho de 2018

ESTUDO CLÍNICO SOBRE OS DELÍRIOS - VI

Entre os delírios, os da esquizofrenia são os mais graves. Por que? Porque a esquizofrenia é um processo subjetivo em que há uma espécie de cisão do eu. Na realidade clínica isto significa que o paciente tem comprometida (em maior ou menor extensão) a função de autonomia social. É o que a psiquiatria manicomial, interessada no adestramento à Norma, chama de Apragmatismo. Dir-se-ia que o esquizofrênico é aquele que pergunta "quem sou?". Para dar resposta e preencher um vazio psíquico dilacerante (ontológico?), ele é como que tomado pelo delírio. Assim, diferente de outras patologias delirantes, na esquizofrenia o paciente é o próprio delírio. Isso só pode ser verificado na escuta não julgadora e na pesquisa cuidadosa da sua inserção na Realidade. Não há, como o modelo biomédico gostaria de acreditar, algum exame de laboratório ou de imagem que garanta com um laudo conclusivo " cifras e imagens atestam esquizofrenia". Vamos rir. Na esquizofrenia, se é que existe uma tal entidade clínica ao estilo médico, é onde desmorona o Sentido e onde a própria psiquiatria e o seu psiquiatra deveriam se questionar enquanto agentes da saúde e daí promotores do cuidado. Servir a quem? Por que? Para que? Como?

A.M.

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