Algumas inferências e hipóteses vão se afirmando. Um exemplo: os modos de subjetivação expressos no papel social chamado "mulher" se transmutam em sintomas e/ou transtornos psiquiátricos. Não parece ser novidade esse dado, porém, é grande a discrepância do fato bruto com a ordem psiquiátrica reinante. O seu modo de pensar neuro-reducionista (sintoma=doença do cérebro) é acachapante. Isto significa, entre outras coisas, que os fluxos de desejo (afetos que escorrem pelo corpo) passam a ser não mais que sintomas. Tamponá-los com fármacos é a manobra seguinte e essencial. Uma naturalização devastadora se dobra sobre as linhas de singularização existencial. A subjetivação-mulher conta, então, com isso para "justificar" a si mesma a condição de impotente para resolver os problemas atuais. Foram tocados temas como o casamento, o aborto, as drogas, a religião, o ressentimento, a culpa,entre outros, todos inseridos em situações práticas do cotidiano e nas vivências de cada uma das histórias pessoais. O grupo realizou a 5ª sessão e revelou um esboço de consistência operacional para avançar nas problemáticas individuais. Estas problemáticas são claramente sustentadas pelo coletivo (multiplicidade dos vetores etiológicos). Em suma, a psicopatologia do eu começa a vacilar e se partir em mil pedaços da loucura. Isso é o viver. Loucura e não doença, é bom frisar...
Antonio Moura
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