domingo, 7 de agosto de 2011

SOCIO-PSICODRAMA NO SERVIÇO PÚBLICO - 5

Algumas inferências e hipóteses vão se afirmando. Um exemplo: os modos de subjetivação expressos no papel social chamado  "mulher"  se   transmutam em sintomas e/ou     transtornos psiquiátricos. Não parece ser novidade esse dado, porém, é  grande a discrepância do fato bruto com a ordem psiquiátrica reinante.  O   seu  modo de pensar neuro-reducionista (sintoma=doença do cérebro)  é acachapante.  Isto significa, entre outras coisas, que os  fluxos de desejo (afetos que escorrem pelo corpo)  passam a ser  não mais  que     sintomas.   Tamponá-los com   fármacos  é a manobra seguinte e essencial.  Uma naturalização  devastadora se  dobra  sobre  as linhas de singularização existencial.   A subjetivação-mulher conta, então,  com isso para "justificar" a si mesma a condição de impotente  para  resolver os problemas atuais. Foram tocados temas como o casamento, o aborto, as drogas, a religião, o ressentimento, a culpa,entre outros,  todos   inseridos em situações práticas do cotidiano e  nas vivências de cada uma das histórias pessoais. O grupo realizou a  5ª sessão e revelou    um  esboço de consistência operacional para avançar nas problemáticas individuais. Estas  problemáticas  são claramente  sustentadas pelo coletivo (multiplicidade dos vetores etiológicos). Em suma, a psicopatologia do eu começa a  vacilar e se partir em mil pedaços da loucura.  Isso  é o  viver. Loucura e não doença, é bom frisar...

Antonio Moura

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