terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

VIOLÊNCIA IMPLÍCITA

(...) (...) Os compêndios médicos  trazem o modelo propedêutico da clínica geral: inspeção,  palpação, percussão e auscultação. Estas ações mapeiam o organismo humano em termos de  exame  físico e produzem uma verdade. Extraem  um  ganho  semiológico, principalmente se  o  paciente for beneficiado pela melhora, alívio,cura,etc. A psiquiatria vem na esteira desse  processo, e com  um elemento a mais: o  julgamento do  paciente. É nesse enunciado-ato que a violência se oculta e se naturaliza.  No entanto, para  o  humanismo  da medicina, esse fato talvez  soe como achincalhe a tão elevados objetivos  éticos. Não importa. A atitude do  psiquiatria  frente ao paciente, o face a face  da clínica  psicopatológica, o enfrentamento tácito,  expõem com clareza os   objetivos  do exame. A atualidade da cultura ocidental,  marcada pela  Ciência, traz  condições teóricas e operacionais necessárias para a psiquiatria afirmar tais objetivos, deletando  os  sintomas.
(...)
A.M.

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