terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

TORNAR O PACIENTE NÃO PACIENTE

(... (...) Todo encontro é marcado por  contingências. O coletivo “antecede” o socius   na  produção  de  subjetividades. Tudo se mistura. Se  existe  algo  que escapa  aos códigos  estáveis da  razão, é  o modelo do delírio   (um anti-modelo na verdade) que  nos  guia  e  impulsiona. Assim,  temos: o coletivo = o delírio (código  psiquiátrico  =  a psicose) numa  série abstrata tornada concreta na  clínica ou em qualquer situação onde uma zona (existencial) de fronteira se mostre como ultrapassagem. Essa é a questão dos campos vivenciais passíveis de contato. Eles são  heterogêneos por sua própria  natureza. O contato imediato é com a aventura do Acaso,do Indeterminado e do Desconhecido. Desse  modo, o encontro de  um terapeuta com o  seu  paciente  pode começar no “interior” de si mesmo, em meio a múltiplos “eus”. Subjetivo e objetivo se  tocam e  se trocam... Entramos  e   estaremos a entrar numa  terra de ninguém, inumana, cósmica,  via sem retorno, mundo  de Lovecraft.  Para  fazer  uma clínica da diferença,  é preciso  a não-clínica  que  com ela  produza  territórios subjetivos concretos. Do contrário, só com a equação  clínica=patológico,  o tratamento verá  o paciente como coisa, ainda  que uma coisa supostamente valiosa.
(...)
A.M.