A CRENÇA NO EU
Quanto às crenças, estão inseridas na materialidade dos territórios existenciais. Remetem a um sistema de códigos, por vezes, particular, como na esquizofrenia. A ligação de determinada vivência a uma síndrome, por mais exata que seja, é contextual. Daí, a análise da vivência preceder o diagnóstico. “O que você sente”? Em que você acredita?” são indagações primárias.A consciência, o eu, a fala, a atenção, a percepção, a memória, a inteligência, enfim, todo o universo das representações mentais deriva daí. Tal pressuposto considera que: 1-Os afetos constituem o “tecido” da subjetividade. É nele e por ele que se estabelece o vínculo terapêutico.2-A relação do patológico com o não patológico (o que a psiquiatria chama de parte sadia do paciente) compõe-se de afetos e crenças. 3-O humor, função psíquica muito pesquisada nos dias atuais, decorre dos afetos e não o contrário. 4-O sistema de crenças, tomando o eu como crença primária, é o que irá “modular” a gravidade de um transtorno mental. 5-É pelo desejo e pelo significado da realidade que as formações de poder controlam mentes e corpos. Concluindo, reafirmamos que as vivências constituem linhas de singularização atuando em cada síndrome. O antigo enunciado médico de que “não há doenças e sim doentes” pode ser remanejado para uma clínica da diferença (...)
Antonio Moura
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