quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A CRENÇA NO EU

Quanto às crenças, estão inseridas na materialidade dos territórios existenciais. Remetem a um sistema de códigos, por  vezes, particular, como na esquizofrenia. A ligação de determinada vivência a uma síndrome, por mais exata que  seja, é  contextual. Daí, a análise da  vivência preceder   o diagnóstico. “O que você  sente”? Em que  você acredita?” são indagações  primárias.A consciência, o eu, a fala, a atenção, a percepção, a memória, a inteligência, enfim, todo o universo das representações mentais deriva  daí. Tal pressuposto considera que: 1-Os  afetos constituem o “tecido” da subjetividade. É nele e  por  ele que se    estabelece o vínculo terapêutico.2-A relação do patológico com o não patológico (o que a psiquiatria chama de  parte  sadia  do paciente) compõe-se de afetos e crenças. 3-O humor, função psíquica muito pesquisada nos dias atuais, decorre dos afetos e não o contrário. 4-O sistema de crenças, tomando o eu  como crença primária, é o que  irá “modular” a gravidade de um transtorno mental. 5-É pelo desejo e pelo significado da realidade que  as formações de poder controlam mentes e corpos. Concluindo, reafirmamos que as vivências constituem  linhas  de  singularização    atuando em cada síndrome. O antigo enunciado médico de que “não há doenças e sim doentes” pode ser remanejado para uma clínica da diferença (...)

Antonio Moura

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