VIAGENS DE MIGUEL
Miguel viaja pelos cantos e recantos da casa e da vida. Ele sorri de quase tudo. Quando chora, passa de imediato ao riso, como se nada houvesse acontecido de ruim ou triste. Ele desliza pelas superfícies do desejo e nem se importa se isso dará certo. Miguel é um barato. Meu coração saltita com a sua presença. Ao chegar em casa, após um dia de trabalho, meu corpo procura Miguel, minha mente procura Miguel, minha existência procura Miguel. Não é coisa de pai babado, pai besta e bobo. É coisa de pai-impessoal, transportado pelos devires que lhe constituem como gente.Nem sei dizer algo que escape a essas configurações de alegria. Miguel é o AMAR enquanto acontecimento que me ultrapassa. Por isso, faço de cada segundo uma dádiva do Abstrato em prol das potências da terra. Essa dádiva chama-se Miguel. No mais, tudo fica pequeno, tudo é pequeno em face dele, o pequeno ser que encerra a vida em sua alegria, radical, em sua produtividade incessante.
Antonio Moura
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