SEM PROBLEMAS DE CONSCIÊNCIA
(...) (...) No Encontro, o que se percebe do paciente? Se sairmos do âmbito estreito do exame psíquico e dispositivos correlatos, perceberemos algo que não sabemos o que é, mas intuímos conforme linhas moleculares. A clínica se constituirá, pois, como um campo de imagens. São vibrações,estremecimentos, fluxos de toda ordem não registrados em manuais e protocolos terapêuticos. Corpos em relação contínua, ação e reação uns com os outros. Como nem todos os corpos são visíveis, a realidade do paciente não é acessível pelos meios propedêuticos usuais. Acessá-la é traçar linhas perceptivas não marcadas por clichês. Temos então o problema de uma consciência considerada como produção e não como produto. A consciência não é um “estar aí” a priori mas o efeito de um movimento mais radical e profundo que a ultrapassa e a precede: o caos. Na verdade ela é uma tela. Uma clínica que problematiza a consciência começa pelo caos. Se ela se limitar a reproduzir a consciência, também será uma tela. Ou seja, os problemas reais de uma subjetividade “doente” não serão tocados. O conceito de consciência serve à concepção médica baseada nas estruturas cerebrais. O que não é um erro, e sim um recorte dos processos subjetivos. A psiquiatria trata da mente conforme o corpo físico-químico. Institui o cérebro como o “corpo mental”, dando origem a um novo dualismo: cérebro/mente e corpo (organismo). Uma psicopatologia da diferença põe em questão essa ótica.
(...)
A.M. - do livro Trair a psiquiatria
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