domingo, 12 de agosto de 2012

SEM  PROBLEMAS DE CONSCIÊNCIA

(...) (...) No Encontro, o que  se percebe do  paciente?  Se  sairmos  do âmbito estreito do exame psíquico e dispositivos correlatos, perceberemos  algo que não sabemos o que é,  mas  intuímos conforme linhas moleculares. A clínica se constituirá, pois, como um campo de imagens. São vibrações,estremecimentos, fluxos de toda ordem não registrados em manuais e protocolos terapêuticos. Corpos em relação  contínua, ação e reação uns  com os outros. Como  nem todos os corpos são visíveis, a realidade do paciente  não é acessível  pelos meios propedêuticos usuais. Acessá-la é traçar linhas perceptivas não marcadas por clichês. Temos então o problema  de uma consciência considerada como produção e não como produto. A consciência  não é  um “estar aí”  a priori mas o efeito de um movimento  mais  radical e  profundo  que a  ultrapassa  e a precede: o caos. Na  verdade ela é uma tela. Uma clínica  que  problematiza a  consciência começa pelo  caos.  Se ela se limitar a reproduzir a consciência, também  será uma  tela. Ou  seja, os  problemas reais  de uma subjetividade “doente” não serão tocados. O conceito de consciência serve à concepção médica baseada nas estruturas cerebrais. O que não é um erro, e sim um recorte dos processos subjetivos. A psiquiatria  trata  da mente conforme o corpo físico-químico. Institui  o cérebro  como o “corpo  mental”, dando origem a  um novo dualismo:  cérebro/mente e  corpo (organismo). Uma psicopatologia da diferença  põe  em  questão  essa  ótica.   
(...)
A.M. - do livro Trair a psiquiatria

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