quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


O NÃO-MENSURÁVEL

Usamos  o  termo   “Encontro”  num sentido voltado à clínica  dos chamados  transtornos  mentais, e  por extensão à Saúde  Mental. Essa é uma instituição marcada historicamente  pela  hegemonia  psiquiátrica. Desse  modo, o senso comum  e o  bom senso das sociedades, na  fabricação de  suas opiniões, aliam-se  à  psiquiatria.  No ato  clínico, com   respaldo  jurídico,  é dada a última  palavra ao psiquiatra  sobre a  saúde  mental  de alguém.  À pergunta  “esse  homem está  louco?” , só  o psiquiatra  está  autorizado  a  responder.  Daí  a nossa  ênfase  sobre a relação psiquiatra-paciente.  Uma  cena, que, ancorada na  pesquisa   dos  processos  físico-químicos do cérebro, põe o paciente como organismo visível -ou  visibilizável- a ser  avaliado, consumando-se  na  realização do exame psíquico como análogo ao exame  físico. O mecanicismo se insinua como verdade científica. Apesar disso, o “Encontro” tem a ver com  outras realidades. Considera  os  processos subjetivos   no que estes implicam de  conexão entre heterogêneos, ou seja, entre  multiplicidades. Sendo  assim,   ele   não  é  tão  somente  objetal  ou   interpessoal. Eles  são tipos   expressos  numa forma  humanizada e imediatamente  visível; vêm na esteira  das relações  humanas. Encontrar o outro, e  de  preferência  que  este  outro  nos  seja  semelhante, tal  é, de um modo  geral, o objetivo das relações humanas, pelo menos conforme o credo humanista. Assim,  diferentemente,  ao considerar  as multiplicidades, o encontro  torna-se  outra  coisa: torna-se  “encontrar”.
(...)
A.M.

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