sábado, 9 de fevereiro de 2013

QUEM É O PACIENTE?

O paciente é formado por linhas, fluxos, energéticas, movimentos, dobras, moléculas, átomos, vibrações, partículas infinitesimais que constituem processos de singularização existencial. Não     se trata apenas de um eu ou de um cérebro. Ainda  que a psiquiatria científica o coloque desse modo: ele é bem mais, um sistema de multiplicidades. Este conceito põe o real ao alcance da  clínica, ou  melhor,  o real como sendo a própria  clínica. Isso remete ao  primado das relações e das  práticas, em detrimento do sujeito  ou do  objeto vistos como entidades fixas. O encontro com  o paciente é o encontro com  relações e práticas que compõem uma vida. Esta é irredutível às  linhas de visibilidade do organismo físico-químico. Não  se restringe ao corpo visível. (Nenhum  espiritualismo em  tal  observação).  Uma  vida enquanto multiplicidade funciona em devires. É o  movimento o  que conta,  embora   não  seja  percebido.  
(...)
A.M.

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