QUEM É O PACIENTE?
O paciente é formado por linhas, fluxos, energéticas, movimentos, dobras, moléculas, átomos, vibrações, partículas infinitesimais que constituem processos de singularização existencial. Não se trata apenas de um eu ou de um cérebro. Ainda que a psiquiatria científica o coloque desse modo: ele é bem mais, um sistema de multiplicidades. Este conceito põe o real ao alcance da clínica, ou melhor, o real como sendo a própria clínica. Isso remete ao primado das relações e das práticas, em detrimento do sujeito ou do objeto vistos como entidades fixas. O encontro com o paciente é o encontro com relações e práticas que compõem uma vida. Esta é irredutível às linhas de visibilidade do organismo físico-químico. Não se restringe ao corpo visível. (Nenhum espiritualismo em tal observação). Uma vida enquanto multiplicidade funciona em devires. É o movimento o que conta, embora não seja percebido.
(...)
A.M.
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