sábado, 11 de agosto de 2012


PROBLEMAS   DE  CONSCIÊNCIA


(...) (...) O  conceito de consciência está presente, de  modo explícito  ou  não, na  clínica psicopatológica desde os  seus primórdios. Pode-se dizer que  é  impossível  realizar  o exame  do  paciente  sem pôr a questão: “ele está consciente”? Trata-se  do conceito  clínico de  grau  (ou  nível) da  consciência. Da  vigília (a  normalidade)  ao coma, desenha-se  um espectro  de  graus de consciência (torpor, turvação, obnubilação, etc) em que as estruturas neurocerebrais estão comprometidas. A equação consciência=mente=cérebro é adotada como resposta  teórica à  clínica  dos  transtornos  mentais  de origem  orgânica. Quanto mais  alguém está consciente, melhor  estará  funcionando o seu  cérebro  e por  extensão  a  mente. Contudo,  o exame  pode  ser  esmiuçado: “o indivíduo sabe o que  faz”?  Ou  “ele tem noção (=consciência) dos seus atos”? Um sentido  moral se  insinua,  ficando  encoberto pelo  sistema fechado  “cérebro/mente. Entretanto, é com Karl Jaspers que  o conceito de consciência adentra ao universo  psicopatológico não médico. Sob a influência da fenomenologia, ele  trabalha elementos  conceituais para  ser  posssível pensar uma  “outra”  consciência  não  redutível às  estruturas  neurocerebrais.  É  a consciência  intencional.  Ela  constitui a  “essência” da  vida psíquica.   Divide-se  em consciência do  eu e consciência  do  objeto. Desse  modo, Jaspers usa  o conceito  de  eu  (e  por  extensão  o de  objeto) atrelado ao conceito de consciência.  Quando  fala  em consciência, a  intencionalidade  torna-se a expressão  do  eu  no mundo. O mundo  é  o objeto, já que  esse  objeto é considerado em relação ao  eu (sujeito da fenomenologia). A partir  desse dado teórico ocorre uma  curiosa  mistura  de  conceitos  nos manuais de psiquiatria  ao longo  do século  XX. De  um lado a consciência neurocerebral. Do outro, a  consciência psicológica assumindo a  orientação  fenomenológica.
(...)
A.M. - do livro Trair a psiquiatria

Nenhum comentário:

Postar um comentário