sexta-feira, 3 de agosto de 2012

TRANSTORNO DA PERSONALIDADE: O DIAGNÓSTICO EMBUSTEIRO

(...) (...)  Excetuando o anti-social e o borderline, os demais não constituem, em geral,   uma   ameaça à ordem  psiquiátrica. Ao contrário, a psiquiatria os mantém como referência semiológica para um diagnóstico definido ou a esclarecer.Nos manuais psiquiátricos as descrições são redundantes, mas permanecem  compondo um capítulo dos códigos dos transtornos mentais ( = doenças mentais). Mas, que doenças? Aquelas que menos se parecem com doenças. Neste sentido, o critério  usado para um enquadramento patológico é moral. É onde  a psiquiatria expõe    os seus instrumentos de poder acoplados à moralidade vigente. A descrição dos tipos, comparando-se  uns aos outros é rasa em argumentos conceituais e redundante como elucidação de métodos. Dimensional ou  Categorial eles não modificam a fundo a situação clínica de incerteza  diagnóstica. Há pacientes que parecem normais. E nem sequer  são loucos “por dentro”, como na paranoia ou no  transtorno delirante persistente. O essencial é que eles  não deliram, não há  angústia, a cognição é íntegra. Porém, incomodam e fazem sofrer. Certas personalidades   incomodam desde que suas características  destoem dos códigos sociais.  No entanto, muitas  se configuram  nos próprios códigos   e se encaixam numa atividade laboral, num contexto  relacional  amoroso, numa inserção institucional de poder,etc. Um tipo obsessivo atuando no serviço burocrático, um  paranóide desempenhando  investigações na polícia federal, um dependente  pendurado num casamento, e assim por diante. Pode-se dizer que em grande parte os atributos dessas personalidades  tornam-se  úteis ao funcionamento social, não deixando qualquer vestígio de anormalidade ou patologia. 
(...)
A.M. - do livro Trair a psiquiatria

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