TRANSTORNO DA PERSONALIDADE: O DIAGNÓSTICO EMBUSTEIRO
(...) (...) Excetuando o anti-social e o borderline, os demais não constituem, em geral, uma ameaça à ordem psiquiátrica. Ao contrário, a psiquiatria os mantém como referência semiológica para um diagnóstico definido ou a esclarecer.Nos manuais psiquiátricos as descrições são redundantes, mas permanecem compondo um capítulo dos códigos dos transtornos mentais ( = doenças mentais). Mas, que doenças? Aquelas que menos se parecem com doenças. Neste sentido, o critério usado para um enquadramento patológico é moral. É onde a psiquiatria expõe os seus instrumentos de poder acoplados à moralidade vigente. A descrição dos tipos, comparando-se uns aos outros é rasa em argumentos conceituais e redundante como elucidação de métodos. Dimensional ou Categorial eles não modificam a fundo a situação clínica de incerteza diagnóstica. Há pacientes que parecem normais. E nem sequer são loucos “por dentro”, como na paranoia ou no transtorno delirante persistente. O essencial é que eles não deliram, não há angústia, a cognição é íntegra. Porém, incomodam e fazem sofrer. Certas personalidades incomodam desde que suas características destoem dos códigos sociais. No entanto, muitas se configuram nos próprios códigos e se encaixam numa atividade laboral, num contexto relacional amoroso, numa inserção institucional de poder,etc. Um tipo obsessivo atuando no serviço burocrático, um paranóide desempenhando investigações na polícia federal, um dependente pendurado num casamento, e assim por diante. Pode-se dizer que em grande parte os atributos dessas personalidades tornam-se úteis ao funcionamento social, não deixando qualquer vestígio de anormalidade ou patologia.
(...)
A.M. - do livro Trair a psiquiatria
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