ABSTRAÇÕES NA CLÍNICA
Os devires não tem uma identidade, não tem uma forma. Eles são o "puro" acaso constituído por afetos que o impulsionam. Tudo pode se tornar objeto dos devires, pois tudo "se torna", tudo é devir. É um conceito encravado na flecha do tempo. Aonde isso vai? Para onde isso vai? Como isso vai? são perguntas irrespondíveis.Em psicopatologia, trabalhamos com linhas abstratas antes que com diagnósticos. Ou só depois, e mesmo assim, com o diagnóstico-função. Elas (as linhas) tem o primado do funcionamento da existência. Como já foi dito, são três, aí onde o desejo (o conteúdo do devir) engancha: molar (o portador de transtorno mental), molecular ( um estilo de viver) e de fuga (o revolucionário). Estes são simples exemplos. Servem tão só como referência clínica (ou além da clínica) e não como modelo. Até porque não há um.
Antonio Moura
Como disse Zé Ramalho: "A vigilância cuida do normal."
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