segunda-feira, 12 de março de 2012

NA CONTRA-CORRENTE


A ética está  presente como  algo  a  se fazer, algo  se  fazendo no cotidiano  do  trabalho. Isso  discrepa  de uma  visão idealista. A  ética    está  no centro da  clínica,   portanto,  nos  problemas relacionados  à  assistência  ao  paciente. Sob a  égide  do tecnicismo  contemporâneo,      costuma  desaparecer, ou  parecer  “ sumir”  (não é costume  se  fazer  a   pergunta: qual  ética?) na  medida  em que  a  técnica  se  impõe  como o acesso  mais  direto e objetivo   (dir-se-ia pragmático)   ao  paciente. O  progresso da psicofarmacologia  fez  por  acentuar   esse  estado de  coisas. As  respostas  terapêuticas  imediatas e  voltadas à  uma  adaptação  social  bem sucedida   fizeram   da   “técnica  pura” o  móvel do  trabalho de  pesquisa   regido  pela  neurociência. Esse  é  um  ideal  caro  à  psiquiatria atual.   São  linhas  de abordagem   clínica  nas  quais   o paciente   está  de antemão  condenado a  formas de  expressão  niveladas à  sobrevivência do  organismo  físico-químico  (...)


A. M.

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