domingo, 11 de março de 2012

INVENTAR  MÈTODOS

Ao  seguir   a  trilha   do  inconsciente produtivo em suas expressões  à  luz  do  dia,  o percurso  da  diferença se  defronta com  o ato  de criar.  Ou  seja,  trata-se  de  algo  que  (ainda)  não  existe.  Na  verdade,  o ato  de  criar é o  ato  de diferenciar-se.   O formato da  clínica não   é  o  do psiquiatra atrás de uma mesa defronte  ao  paciente.   Pode  ser  qualquer  coisa, inclusive  a tradicional,  desde  que  torcida e transformada.   O que  muda neste  caso  é  a  sua   atitude e  o  rearranjo dos  elementos vivenciados pelo  paciente. Este não  é  um  nome,  mas  uma  vida,  cerne  da  ética. A  “garimpagem”  dos signos-sintomas acontece no fluir da  conversa. Uma  atitude empática do  psiquiatra amplia-se...   Isto  implica  na  construção de um campo perceptivo  que não se restringe  à  pessoa, mas  ao que  lhe  precede  e lhe  determina: o  universo. A diferença não   é uma  coisa, mesmo   a  coisa  “valiosa” na visão   humanista. A diferença “torna-se”. Ela  é  processo afirmativo expresso nas  ações  do  paciente, mesmo que  sejam  inadequadas e  bizarras.   É  um grito.  Ora,  um psiquiatra  remedeiro, em geral,   quer calar  ou   afastar  o  grito. Então,  o método, para  driblar e ao mesmo  tempo usar os  fármacos,   é  outro,    trilha  desconhecida a explorar. Neste  sentido, o percurso do tratamento  é  incerto. As  garantias técnicas  se dissolvem.  A clínica tradicional desabituou-se a encarar  o vazio como   resposta aos  problemas ditos  mentais. Voltamos à  perda  das  referências   pontuais e   à  subjetividade não individuada em papéis demarcados. Quem é o paciente?  Quem  é o psiquiatra?   A partir de   vivências múltiplas,  o paciente    talvez  não  queira   ser  normal, mas  diferente. Não  há  o ser-paciente. Não   há  o ser-psiquiatra (...)

A.M.  

2 comentários:

  1. Aos que chegam a este mundo do cuidado, precisamos fomentar que queiram ser e saber cientes de que pouco se sabe e que o saber se constroi na dança ritmada da comunicação com o outro. Não basta querer ser, como dizia meu avô João aos pais de alunos que eram obrigados a frequentarem a sua escola de alfaiataria e nao apreendiam as liçôes ensinadas: "o senhor queria que seu filho entresse na arte mas a arte não entrou nele". Parabèns a Dr Antonio, artista do cuidado!



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  2. Entrou bonito!

    http://www.youtube.com/watch?v=ccenFp_3kq8

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