INVENTAR MÈTODOS
Ao seguir a trilha do inconsciente produtivo em suas expressões à luz do dia, o percurso da diferença se defronta com o ato de criar. Ou seja, trata-se de algo que (ainda) não existe. Na verdade, o ato de criar é o ato de diferenciar-se. O formato da clínica não é o do psiquiatra atrás de uma mesa defronte ao paciente. Pode ser qualquer coisa, inclusive a tradicional, desde que torcida e transformada. O que muda neste caso é a sua atitude e o rearranjo dos elementos vivenciados pelo paciente. Este não é um nome, mas uma vida, cerne da ética. A “garimpagem” dos signos-sintomas acontece no fluir da conversa. Uma atitude empática do psiquiatra amplia-se... Isto implica na construção de um campo perceptivo que não se restringe à pessoa, mas ao que lhe precede e lhe determina: o universo. A diferença não é uma coisa, mesmo a coisa “valiosa” na visão humanista. A diferença “torna-se”. Ela é processo afirmativo expresso nas ações do paciente, mesmo que sejam inadequadas e bizarras. É um grito. Ora, um psiquiatra remedeiro, em geral, quer calar ou afastar o grito. Então, o método, para driblar e ao mesmo tempo usar os fármacos, é outro, trilha desconhecida a explorar. Neste sentido, o percurso do tratamento é incerto. As garantias técnicas se dissolvem. A clínica tradicional desabituou-se a encarar o vazio como resposta aos problemas ditos mentais. Voltamos à perda das referências pontuais e à subjetividade não individuada em papéis demarcados. Quem é o paciente? Quem é o psiquiatra? A partir de vivências múltiplas, o paciente talvez não queira ser normal, mas diferente. Não há o ser-paciente. Não há o ser-psiquiatra (...)
A.M.
Aos que chegam a este mundo do cuidado, precisamos fomentar que queiram ser e saber cientes de que pouco se sabe e que o saber se constroi na dança ritmada da comunicação com o outro. Não basta querer ser, como dizia meu avô João aos pais de alunos que eram obrigados a frequentarem a sua escola de alfaiataria e nao apreendiam as liçôes ensinadas: "o senhor queria que seu filho entresse na arte mas a arte não entrou nele". Parabèns a Dr Antonio, artista do cuidado!
ResponderExcluir,
Entrou bonito!
ResponderExcluirhttp://www.youtube.com/watch?v=ccenFp_3kq8