domingo, 11 de fevereiro de 2018

CASA VAZIA

Poema nenhum, nunca mais, 
será um acontecimento: 
escrevemos cada vez mais 
para um mundo cada vez menos,

para esse público dos ermos 
composto apenas de nós mesmos,

uns joões batistas a pregar 
para as dobras de suas túnicas 
seu deserto particular,

ou cães latindo, noite e dia, 
dentro de uma casa vazia.



Alberto da Cunha Melo

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