Quem é louco?
O louco nos chega por mãos variadas. A sociedade divide seus filhos: sãos e doentes, ricos e pobres, jovens e velhos, bons e maus, etc. O que nos chega? Um dualismo esgotado. Ele finca a verdade e exala dos poderosos o cheiro inconfundível das cisternas. Temos que admitir: o poder público amacia os temporais do desejo inaudito. Todos se levantam quando o assunto é o bem estar dos medianos. Eles estão em toda a parte. Ah, os medianos... Odeiam a loucura e a parte que lhes cabe nesse latifúndio. No entanto, o louco, com sua conversa diversa, incomoda a ordem, mesmo a que vem das remelas do rei. Fala de outra coisa, coisa simples: aí vem a diferença numa via indecifrável aos medianos de plantão. Rasga os organismos de pedra. Num Brasil país de todos, o soldo é o dos monarcas. A diferença? Ela dança sobre continentes perdidos. Em cada um dos nós, a mentira se afirma como a verdade dos tempos que correm. Parados. O ogro assume a educação e a violência banal reparte o pão nosso em obras vazias. A educação é isso. Um lixo suavizado em canções pela Brasília dos sonhos. Voltemos à excreção das partes ainda não contaminadas. O corpo do Tempo arremeda pássaros. O delírio das populações cede ao uso de neurolépticos. Um louco refugia-se na normalidade. Ele nos chega por mãos variadas. Em todas, um só coração deseja manter a aparência de bondade. A loucura se torna o padrão VISA das transações ok. Que resta?
A. M.
Resta a loucura não patologizada, não psiquiatrizada, a força da afirmação. A proliferação das depressões dificulta o entendimento de algo além do pessimismo. A esperança tornou-se vítima de uma transcendência religiosa sórdida, que se multiplica. Cada um busca encontrar um lugar, mas a maior parte dos lugares fedem. Feito ratos, lambujam o país do esbulho possessório de subjetividades. A PF pisou na Assembléia legislativa e o pessoal do DEM, partido do "ACMeio Neto" (como diz o GRANDE José Simão), se encontra embaraçado por ter mudado só de nome. O PT é um partido só, composto de PMDB, PSDB, e mais "P". Os pequenos paranóides buscam sempre se arraigar em alguma coisa corrompida, ainda que não saibam - na ilusão de certeza absoluta. Prigogine escreveu O Fim das Certezas, mas quem lê? Eli carregou o livro sozinho em um submundo, vivido por Denzel Washington, filme ruim que os americanos gostam. Não é um livro que vai resolver o problema, nem Deus, nem mesmo os homens. A potência criativa vive numa realidade paralela, como é o caso de Manoel de Barros. Não ambiciona nada ao não ser criar. Cada qual na sua loucura tenta não ser pego pelas ratoeiras, antes compostas da Natureza animalesca. Hoje, os Homens são o perigo. E as Ciências Humanas fizeram isso. Não se iluda. O Estado, atualmente, é o Estado-Científico. Daqui a uns dias, encontraremos extra-terrestres, se esse mundo não acabar. A partir daí, se estiver vivo, o que fazer?
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