quarta-feira, 4 de abril de 2012

NENHUMA SURPRESA

ASSOCIAÇÃO PSIQUIÁTRICA DA BAHIA - INFORME  ON-LINE

 [APB Bahia] Conflitos não resolvidos


abnoel_souza
07:40 (5 horas atrás)

para apb-bahia 
Colegas, bom dia!

Este assunto (texto abaixo) enseja uma boa e oportuna discussão.

Até recentemente, vigorou, nas modernas sociedades industriais, o discurso da (suposta) neutralidade da ciência, que funcionou como um biombo a proteger interesses legítimos e também escusos. 

Com o acirramento, em escala planetária, da concorrência entre empresas e entre grupos de pesquisa, tornou-se inevitável a adoção da medida prudencial de declaração de conflitos de interesse, para conferir credibilidade mínima a resultados de pesquisas, prevenindo-se questionamentos mútuos sobre a inserção ética dos pesquisadores nos processos de investigação científica e tecnológica.

No Brasil, a impregnação progressiva de segmentos da pesquisa universitária pelos interesses dos  laboratórios farmacêuticos, com as exceções de praxe,  solapou a necessária isenção da academia para arbitrar conflitos técnico-cien tíficos nessa matéria. 

Lá e acolá, também entidades associativas deixaram-se colonizar sem muita resistência, numa atitude  de  autodeslegitimação como árbitro desses mesmos conflitos.

À falta de instâncias não-judiciais legitimamente credenciadas para dirimir conflitos e de uma agência reguladora independente e isenta, a arbitragem, nessa área, ficará entregue ao "livre jogo" do mercado?

Abç
Abnoel

Indústria influencia manual de psiquiatria

Na equipe que prepara o novo livro de transtornos mentais, 69% dos integrantes têm relação com laboratórios

Conflito de interesses dos psiquiatras que estão redefinindo diagnósticos aumentou, segundo estudo

RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON
O processo de reformulação do manual mais importante da psiquiatria está sofrendo cada vez mais influência da indústria farmacêutica, afirma um novo estudo.

Dentro da força-tarefa responsável pela quinta edição do livro, o número de pesquisadores que declararam ter conflito de interesses subiu de 57% para 69%, em relação à quarta edição.

A obra sob crítica é o DSM (Manual de Estatísticas e Diagnósticos), da APA (Associação Psiquiátrica Americana), que vem sendo alvejada por criar novos transtornos mentais.

Segundo Lisa Cosgrove, eticista da Universidade Harvard, o aumento dos laços com o setor privado é uma surpresa, pois a comissão encarregada de editar o manual impôs novas regras para minimizar o problema.

Na tentativa de evitar que empresas pressionem por alterações que favoreçam a venda de seus medicamentos, a associação instituiu que todos os membros da força-tarefa do DSM-5 devem relatar ligações com laboratórios.

Pesquisadores que atuam como conselheiros em empresas ou que tenham realizado pesquisas patrocinadas por elas são agora obrigados a revelar suas ligações.

Sheldon Krimsky, da Univesidade Tufts, que assina o trabalho com Cosgrove, sugere que a nova política fracassou, pois só "transformou um problema de 'viés secreto' em um de 'viés aberto'".

Os resultados foram publicados na revista "PLoS Medicine". O presidente da APA, John Oldham, emitiu um comunicado questionando o trabalho (veja texto ao lado).

Além de analisar dados sobre os 29 membros da força-tarefa responsável pelo manual, Cosgrove e Krimsky fizeram um levantamento sobre os 141 pesquisadores que participam dos grupos de trabalho representando sub-áreas da psiquiatria.

"Três quartos dos grupos de trabalho têm a maioria de seus membros ligados à indústria", diz o estudo. "Os painéis onde há mais conflito são aqueles sobre problemas mentais para os quais o tratamento farmacológico é a intervenção de praxe."

Mudanças nos critérios de diagnóstico de depressão, por exemplo, podem fazer mais pessoas serem encaixadas no transtorno.

Segundo Cosgrove e Krimsky, o grau de conflito de interesses pode estar subestimado, pois a APA não exige que psiquiatras revelem participação nos "bureaus de oradores" de empresas.

Esses profissionais, que fazem apresentações públicas sobre medicamentos, podem listar essa atividade só como "honorários", sem especificar do que se trata.

"Quando fizemos uma busca de internet pelos nomes dos 141 integrantes do painel, descobrimos que 15% deles tinham revelado estar em 'bureaus de oradores' ou painéis de conselheiros de farmacêuticas", escrevem os autores.

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