domingo, 5 de agosto de 2012

PSEUDO-EQUIPE EM SAÚDE MENTAL

(...) (...) Nosso   problema  é, pois,  o trabalho da   equipe técnica em seu cotidiano e na  produção de uma reflexão sobre o mesmo. Teríamos as questões:  1-Trata-se de  fato  de  um grupo? 2-  A  que  interesses  atende? 3-Que concepções sobre a loucura norteiam  o seu  trabalho?  4-Como se dá a comunicação entre os segmentos técnicos  em relação ao paciente? 5-Qual o lugar da ética e da política nas ações práticas?   Nossa hipótese de base: apesar do ideário da reforma psiquiátrica, a psiquiatria  é  um modo de subjetivação que ainda domina e controla os que lidam com o paciente. Significa dizer que não há  reforma psiquiátrica na clínica . Ao contrário, o grupo técnico  trabalha   sob a transcendência psiquiátrica. Ora, a psiquiatria dispõe de um arsenal de medicamentos  contra os transtornos mentais. Usá-los, sim, desde que observados  critérios éticos e diagnósticos. O problema é que  esse dado surge como primeiro  na avaliação clínica. Medicar e depois diagnosticar,  se possível. Desse modo, o transtorno mental surge na e da psiquiatria como seu objeto  legítimo. Cabe aos demais  técnicos  acompanhar o carro-chefe. Ou nada. Esse  fato  compromete  o trabalho de grupo  como um trabalho coletivo. Mais: de que  objeto se trata? Transtorno mental já não seria alguma coisa fabricada pela própria psiquiatria? Se  é objeto da psiquiatria,  não pode ser objeto da psicologia ou de outros saberes. 
(...)
A.M.

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