domingo, 5 de agosto de 2012

VIAGENS DE MIGUEL


Miguel cada vez mais difícil, cada vez mais fácil de lidar. Quase 1 ano e cinco meses, ensaia incursões por oceanos distantes. Tudo é água. Adora pegá-la no copo e derramar no chão. Brinquedo-segredo sem explicação racional. Miguel cresce com um olhar distante, captando tudo quando vou à rua. Chora muito, não por mim, mas pela rua. Ele vai em frente. O vento frio de Conquista insere passeios intensos. Depois em casa, trocamos idéias sobre a vida. Outro dia, me disse que queria dar uma olhada nos livros da parte de cima da estante. Perguntei quais. Miguel, com aquele jeito poético-infante, me diz: "só um, pai; pra começar, me passa o "anti-édipo"; explicou que esse livro (mesmo sem ter lido)  faz circular "oxigênios desconhecidos e canções além do parto". Lhe passei um exemplar, não sem antes  dizer: "vá fundo na superfície". Acredito que ele entendeu. Tanto que no dia seguinte, amanheceu  pássaro. E voou.


A.M.

Nenhum comentário:

Postar um comentário