QUESTÃO DE MÉTODO
(...) (...) Os compêndios médicos trazem o modelo propedêutico da clínica geral: inspeção, palpação, percussão e auscultação. Estas ações mapeiam o organismo humano em termos de exame físico e produzem uma verdade. Extraem um ganho semiológico, principalmente se o paciente for beneficiado pela melhora, alívio,cura,etc.A psiquiatria vem na esteira desse processo, e com um elemento a mais: o julgamento do paciente. É nesse enunciado-ato que a violência se oculta e se naturaliza. No entanto, para o humanismo da medicina, esse fato talvez soe como achincalhe a tão elevados objetivos éticos. Não importa. A atitude do psiquiatria frente ao paciente, o face a face da clínica psicopatológica, o enfrentamento tácito, expõem com clareza os objetivos do exame. A atualidade da cultura ocidental, marcada pela Ciência, traz condições teóricas e operacionais necessárias para a psiquiatria afirmar tais objetivos, deletando os sintomas.No entanto, buscamos novos caminhos. Chamamos caos de loucura. Ou vice-versa. Os sintomas constituem transtornos (ou síndromes) sobre um fundo existencial que é o caos. Este é um operador a-significante, ou melhor, nada significa. Remete ao puro contato com a vivência expressa no momento do exame. Desse modo, o exame físico, paradigma da medicina, é inadequado e grosseiro para estabelecer um vínculo terapêutico com o paciente e até mesmo estabelecer um diagnóstico preciso. A loucura extrapola os limites do pensar médico.
(...)
A.M.
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