sábado, 14 de julho de 2012

QUESTÃO DE MÉTODO

(...) (...) Os compêndios médicos trazem o modelo propedêutico da clínica geral:  inspeção,  palpação, percussão e auscultação. Estas ações mapeiam o organismo humano em termos de  exame  físico e produzem  uma verdade.  Extraem   um  ganho  semiológico, principalmente se  o  paciente for beneficiado pela melhora,  alívio,cura,etc.A psiquiatria vem na esteira desse  processo, e com um elemento a mais: o julgamento do  paciente. É nesse enunciado-ato que  a violência se oculta e se naturaliza.  No entanto,  para  o humanismo  da medicina, esse fato talvez  soe como achincalhe a tão  elevados  objetivos éticos. Não  importa. A atitude do  psiquiatria  frente ao paciente, o face a face da clínica  psicopatológica, o enfrentamento  tácito, expõem com clareza os objetivos do exame. A atualidade da cultura ocidental,  marcada pela Ciência, traz  condições teóricas e operacionais  necessárias para a psiquiatria afirmar tais objetivos,  deletando  os  sintomas.No entanto, buscamos novos caminhos. Chamamos caos  de  loucura. Ou vice-versa. Os sintomas constituem  transtornos  (ou síndromes) sobre um fundo existencial  que é o caos. Este é um operador a-significante, ou  melhor, nada  significa. Remete ao puro contato com a vivência expressa no momento do exame. Desse  modo, o exame  físico, paradigma da  medicina, é inadequado e grosseiro  para estabelecer um vínculo terapêutico com o paciente e até mesmo estabelecer  um diagnóstico  preciso. A loucura extrapola  os limites  do pensar  médico.
(...)
A.M.

Nenhum comentário:

Postar um comentário