quinta-feira, 15 de março de 2012

O FORMIGAMENTO DAS DIFERENÇAS

P- Poderia  explicar melhor  o que você  chama  de  universo   “sub-representativo”?
R- Trata-se    do mundo   que     escapa   à  Identidade  do conceito,  (sustentada  pelo  verbo   Ser),   como quando    se diz  “ser-doente-mental”  ou  “ ser-psiquiatra”. Ele  está   aquém da  “representação da  Realidade”,  ou seja, fora  das  coordenadas   estáveis  da   razão, para  além   da  relação  do  conceito  com a  coisa. O  grande  desafio seria  descolar  o conceito  da  coisa, fazer o conceito delirar.É um mundo constituído por  processos, movimentos, devires, singularidades. Enfim, temos  o campo  das multiplicidades, um campo    que se opõe  aos dualismos  estabelecidos, como  doente/sadio,  corpo/mente, racional/irracional, etc.
P- Este  seria  propriamente o  universo  da  diferença?
R-Sim, sem  dúvida. Mas, pela própria  natureza do  seu  funcionamento, é um mundo a  se  fazer, a  se  construir. Nada está  dado  de uma  vez  por  todas. Neste sentido,  a  Saúde  Mental, vista como  uma   instituição, passa a ser questionada  em suas  bases histórico-sociais. Pergunta-se-ia :a  quem   efetivamente  serve   a clínica?  Para  que  serve?  São questões  que  se desdobram em  muitas  outras.  Elas  se  unem  na  busca  de  uma   ética  pela   Vida.

A.M.

Um comentário:

  1. A loucura não é um processo mecânico, racionalizado. A racionalização da loucura é o hospício-em-nós, que se vincula à formação do psiquiatra. Já os discursos são complexas formas de dominação. Gosto no Direito, por exemplo, da sua franqueza. Observem o caso do imposto: "Você não gosta do imposto, mas terá de pagar." Criam uma concepção de Estado, etc., etc. Mas, é menos sorrateiro. No caso da psicologia e da psiquiatria, são perigosos. Sobretudo, as reformas. E, em alguns casos, a própria esquizoanálise.

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