sexta-feira, 13 de julho de 2012

PERCEBER O IMPERCEPTÍVEL

(...) (...). Trabalhar com pacientes num Caps, por exemplo, implica em sair dos moldes da  Conserva do hospício ou dos consultórios clínicos. Explorar as multiplicidades, mesmo e principalmente no paciente identificado à  forma-doente mental. Há  outras  linhas não percebidas, talvez  invisíveis. Pacientes registrados, cadastrados, codificados, rotulados sob o efeito de  formas sociais (instituições) como a  família, a clínica, a escola, o trabalho, o direito, o estado, a polícia, o casamento, entre  outras, estão  enfiados em buracos negros  onde o devir-pensamento  foi  relegado a uma atividade cognitiva mínima, rasteira, como registram os manuais  psiquiátricos. Curso, forma, conteúdo, raciocínio, juízo, são categorias semiológicas usadas num exercício de mortificação do devir-pensamento. Elas compõem o mundo da representação. Tornar o pensamento visível e frear a sua  velocidade  infinita, isso  sempre foi assunto  dos  psiquiatras  e adquire na psiquiatria atual  o requinte  das  tecnologias  de ponta. 
(...)
A.M.

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