PERCEBER O IMPERCEPTÍVEL
(...) (...). Trabalhar com pacientes num Caps, por exemplo, implica em sair dos moldes da Conserva do hospício ou dos consultórios clínicos. Explorar as multiplicidades, mesmo e principalmente no paciente identificado à forma-doente mental. Há outras linhas não percebidas, talvez invisíveis. Pacientes registrados, cadastrados, codificados, rotulados sob o efeito de formas sociais (instituições) como a família, a clínica, a escola, o trabalho, o direito, o estado, a polícia, o casamento, entre outras, estão enfiados em buracos negros onde o devir-pensamento foi relegado a uma atividade cognitiva mínima, rasteira, como registram os manuais psiquiátricos. Curso, forma, conteúdo, raciocínio, juízo, são categorias semiológicas usadas num exercício de mortificação do devir-pensamento. Elas compõem o mundo da representação. Tornar o pensamento visível e frear a sua velocidade infinita, isso sempre foi assunto dos psiquiatras e adquire na psiquiatria atual o requinte das tecnologias de ponta.
(...)
A.M.
Chico Buarque - A Ilha: http://www.youtube.com/watch?v=D_s2mzgXsqM
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