sábado, 3 de março de 2012

CAIXÕES MÓVEIS

Existe uma subjetividade-automóvel. Produto óbvio do tempo industrial, funciona como corpo-invólucro da fragilidade  do organismo que o conduz. A hipótese  fálica  (meu carro, meu pênis...) à la psicanálise, é por demais simplista.   Tenta   mostrar (como é hábito dos acólitos do freudismo) que tudo gira em torno do homem-macho. Contudo, as coisas são um pouco mais complexas. O automóvel  embriaga até freirinhas virgens e produz um corpo de intensidades diretamente acoplado aos modos de subjetivação vigentes.No caso do  capitalismo  universal, ele   recita a ladainha: que eu seja maior, melhor, mais poderoso, mais bonito, mais bem sucedido, etc. No entanto, isso   não é nada enquanto não for obtido pela Ciência, claro,   que sou imortal e desprovido de  fezes e ânus. Afinal, a noite dos desesperados ainda não amanheceu... e o  que está escrito aqui  não permite uma compreensão cognitiva, racional, intelectual. Estamos em outra.

Antonio Moura

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