sexta-feira, 9 de março de 2012

O COLETIVO NÃO É O SOCIAL

Todo  encontro  é   marcado por  contingências.  O  coletivo  “antecede” o   socius   na  produção  de    subjetividades . Tudo  se mistura     . Se  existe  algo  que  escapa   aos  códigos  estáveis da  razão, é  o modelo do delírio   (um anti-modelo na verdade)   que  nos   guia  e  impulsiona. Assim,  temos:  o coletivo   =  o delírio   ( código  psiquiátrico  =  a psicose)     numa  série abstrata  tornada  concreta na  clínica ou  em  qualquer  situação  onde   uma  zona (existencial)  de  fronteira  se   mostre  como ultrapassagem.  Essa  é  a questão  dos  campos    vivenciais  passíveis  de   contato. Eles  são  hetrogêneos por  sua  própria  natureza. O contato  imediato  é com a    aventura  do Acaso,do Indeterminado   e  do  Desconhecido. Desse  modo,   o encontro de  um terapeuta com o   seu  paciente  pode  começar no “interior”  de si   mesmo, em meio  a múltiplos  “eus”.  Subjetivo e objetivo   se  tocam e  se  trocam...   Entramos  e   estaremos   a entrar    numa  terra  de ninguém, inumana, cósmica,   via  sem retorno, mundo  de Lovecraft.  Para  fazer  uma  clínica da  diferença,   é preciso  a não-clínica  que  com ela  produza  territórios subjetivos  concretos. Do contrário, só  com a equação  clínica=patológico,  o tratamento  verá  o paciente  como  coisa, ainda  que   uma coisa  valiosa.  O encontro   busca  o lado ativo do infinito,  o  processo,  enfim, das  relações  sociais  e  coletivas (...) 

Antonio Moura - do livro Trair a psiquiatria

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