O PSIQUIATRA COMO REPRODUTOR DE ORDENS IMPLÍCITAS
Assim, não só o louco é convertido à categoria de doente e o não doente convertido à categoria de louco, mas a psiquiatria converte-se à ciência e faz um trabalho de rescaldo social. O que está em jogo não é o psiquiatra-pessoa. Este obedece, só obedece (mesmo sem saber). A questão é outra. São as relações institucionais, a materialidade do ato clínico. O eu-consciência sustenta a psicopatologia. Hoje, a equação se alarga. Temos eu=consciência=cérebro, base ontológica para se passar remédios. Na ausência de uma teoria psiquiátrica da subjetividade, quem responde ao psiquiatra é o “eu-consciência-cérebro”. Este é o “sujeito”. Eu-consciência para o manejo psicoterápico cognitivista. Cérebro para o farmacológico, não necessariamente nesta ordem (...)
Antonio Moura - do livro Trair a psiquiatria
Nenhum comentário:
Postar um comentário